domingo, 21 de fevereiro de 2010

Carta dedicada aos amigos palestrinos, É com imenso pesar que me senti na vontade e na necessidade, de pela primeira vez, escrever um texto que aponte


É com imenso pesar que me senti na vontade e na necessidade, de pela primeira vez, escrever um texto que aponte o porquê de sermos considerados um time de médio porte na atualidade. Desde o fim da gloriosa Era Parmalat, época em que comprávamos as maiores revelações do futebol brasileiro e sul-americano e tínhamos condições de montar um time de calibre internacional mesmo possuindo uma estrutura “capengante”, o Palmeiras vem sofrendo com seu pífio desempenho nos campeonatos que disputou, com algumas exceções.

Desde 2001 para cá, nossas administrações e nossa postura frente aos rivais nos colocaram algumas vezes como quarta força do futebol paulista, haja visto que Santos, São Paulo e Corinthians conquistaram títulos nacionais e internacionais, enquanto nosso Palestra amargou uma queda de divisão, a qual não serviu de lição para uma reestruturação digna de um time grande. Enfim, vamos aos fatos...

Após a saída da Parmalat, o clube não conseguiu se sustentar com as próprias pernas mostrando uma incapacidade monstro nas suas categorias de base, no seu centro de treinamento e etc. Chegamos a estar em primeiro lugar num campeonato brasileiro (se eu não me engano 2001) e cairmos para nono, dez rodadas antes, sob o comando do sempre perdedor Celso Roth.

Em 2002, a falta de planejamento foi tamanha que conseguimos a proeza de cair para a 2 divisão, após dispensarmos nossa trinca de volantes às vésperas do Campeonato Brasileiro, e no decorrer desse trazer Donizete Pantera, Misso, Rovilson, Zinho (fim de carreira) entre outras pérolas. Passamos a vergonha de ver um treinador abandonar o cargo com 1 ou 2 jogos no campeonato. Ou seja, imaginem quanto não gastamos em contratações (luvas e tudo mais) no deccorrer de 2002 para assumir uma dívida e uma falta de credibilidade tamanha.

A série B em 2003, por incrível que pareça, foi um grande fator de melhorias para a imagem do Palmeiras e sua chance de se reerguer. Em 1 ano, com Jair Picerni, revelamos Vagner Love, Edmilson, Diego Souza, fizemos o Magrão um bom jogador e posteriormente, “lucramos” com todos esses. Todos esses jogadores, mais tarde foram vendidos a preço de banana, principalmente Vagner Love, que na época estava fazendo chover pela camisa do Palmeiras. Mustafá Contursi o vendeu por menos de US$ 5 milhões (o Betão saiu do Santos por US$ 2 milhões). Sobrou para o Palmeiras a honra de ser o primeiro clube grande a ser digno de cair, jogar a serie B e conquistar no campo.

A venda do Love foi tão constrangedora para nosso clube que depois tivemos que arcar com Kahê, Renaldo e Cia. Na tentativa de possuir um novo 9. Em 2004, com Estevam Soares (creio que seja ele) voltamos para a Libertadores com um esquema 3-5-2 e sendo carregados pelo camisa 10 Magrão que jogou demais esse ano. Vale lembrar que perdemos p/ Guarani e Flamengo (time que lutavam p/ não cair) em casa quando estávamos disputando a liderança.

Fomos com um fraco time para a Libertadores de 2005 e tomamos uma saravada do São Paulo nos dois jogos. Com o excelente treinador Emerson Leão voltaríamos de novo para a Libertadores de 2006 com um time esfacelado por contusões. No meio do campeonato, os jogadores entregaram o jogo contra o Figueirense (6 a 1) e fomos p/ oitavas com Marcelo Villar revelando o volante Wendel – fomos roubados, mas nosso time era inferior.

No meio disso tudo, já havíamos trazido Ricardo Boiadeiro, Carlos Castro e Jardel (nem jogaram!!), Valdomiro e Douglão (jogaram na primeira partida da libertadores de 2006) e outras dezenas de jogadores de 2, 3 divisão. Ou seja, vejamos o tempo em que gastamos com essas merdas e não revelamos jogadores. E quando revelamos Ilsinho, Cavalieri, Vagner Love, Edmilson, Taddei, não conseguimos fazer dinheiro.

Creio que um dos nossos maiores erros aconteceu em 2007 quando demitimos Caio Junior. Com um time que quase caiu ano anterior, o Caio Jr tirou leite de pedra e montou um time competitivo. Vale lembrar que conseguiu vender o Michael, Caio, fez o Valdívia virar craque! Conseguiu dinheiro com Martinez, Pierre virou ídolo! O Caio Jr. Mandou bem demais e deveria ter seu contrato renovado!

As coisas mais recentes não convém comentar, mas demitimos os 2 maiores treinadores do Brasil por considerarmos o trabalho deles ruim. Nessa década, demitimos o Tite que não deixou o Palmeiras cair em 2006 com um time regido por Rosembrick! Demitimos o Caio Jr. que tirou leite de pedra... e agora demitimos um baita profissional que é o Muricy Ramalho.

Enfim, enquanto revelamos poucos jogadores, pagamos caro a jogadores com problema de contusão (Pedrinho, Marcinho, Juninho Paulista) e velhos (Gamarra, Dininho) não desenvolvemos uma fonte de recurso próprio (nosso marketing também é fraco). Não mantemos um trabalho a longo prazo, agredimos nossos atletas (Porra, perder um jogador de seleção por agressão ano passado foi coisa de time de várzea). O Palmeiras caminha para ser um clube do século XX cada vez mais. Pensávamos que com Belluzo nosso clube iria se modernizar, mas essas carcaças que administram nosso futebol são deploráveis! Nós torcedores batemos no Vagner Love, arremessamos um copo d´agua na cabeça do Cleiton Xavier, nosso presidente vai na torcida organizada e dá showzinho...

Com certeza estou deixando passar muita coisa nesse texto, mas se tirarmos a Era Parmalat de nossa história, veremos que a má administração palmeirense, o mal que uma pequena parte de nossa torcida causa, é uma situação de longa duração.